Envelheci, foi sem querer.
Distraí-me alguns instantes,
adiei sonhos e planos,
congelei alguns momentos
no baú da memória,
procurei abrigo no medo do fracasso,
adormeci na promessa 
de sorrisos e afagos.
Quando finalmente despertei
olhando para as pegadas logo atrás,
eu mesmo era o passado
do qual zombava.

(Rogério de Moura)




Acima  de tudo,
tudo é vizinhança.
Acima da Terra,
tudo é céu.
Acima do mundo,
tudo é universo.
Acima do universo,
tudo é infinito.
Acima do infito,
tudo está acima de tudo.

(Rogério de Moura)





Candidatou-se na promessa de uma conduta honesta e íntegra, realizando melhorias na administração pública e atendendo aos mais necessitados.
Foi eleito com considerável número de votos.
Em pleno mandato, como seria inevitável, foi convidado para todo sortilégio de falcatruas e picaretagens por seus colegas de trabalho.
Recusou-se, firme, convicto. Fiel ao compromisso de honrar a promessa que o elegeu.
Grana rolando solta em propinas, colegas enriquecendo... E ele, conduzindo sua vida e seu mandato de maneira humilde.
Não tardou e seus companheiros de partido começaram a chamá-lo de ingênuo.
Logo depois, foi a vez de sua esposa chamá-lo de trouxa.
A opinião começou a ser compartilhada por sua família.
Por último, seus eleitores começaram a chamá-lo de otário.
Não foi reeleito.

(Rogério de Moura)


Um cão se aproximou.
O gato pensou que, se aplicasse toda a sua sabedoria felina, o canino não teria chance.
Surgiram outros cães. Em poucos instantes, uma matilha formou-se ao redor do felino.
Não havia uma árvore ou muro onde pudesse subir.
Pensou em fingir-se de morto. Mas os cães têm faro para essas ocasiões.
Estava perdido!
Súbito, começou a latir. Caninamente.
Os outros cães, a principio, estranharam. 
O gato latia, com um sotaque felino. Mas dava para entender o idioma.
Logo, todos se aproximaram, amistosamente.
E todos, inclusive o gato, juntaram-se numa árvore mais próxima. Que é o boteco dos cães.
(Rogério de Moura)


Marte, Vênus, Júpiter, Andrômeda, supernova, quasar...
Mas era só um balão.
(Rogério de Moura)


Então, no auge da angústia e do desespero, ele subiu a montanha e gritou:
"Cupido filho da mãe!"
(Rogério de Moura)


Existe um lugar nebuloso, místico, no meio do mar, para onde vão todas as perguntas não respondidas.
Quem conseguiu chegar lá, conheceu as perguntas sobre "de onde viemos?", "para onde vamos?", "como começou o Universo?", "o que existia antes do Univeso existir?", "por que existe corrupção?", "o que é ser de Direita e o que é ser de Esquerda em um país caótico como o Brasil?", "porque o eleitor brasileiro vota em políticos corruptos?" entre outras questões fundamentais da humanidade.
O lugar é conhecido como o Triângulo das Perguntas.
Houve quem buscasse esse lugar. Inúmeros curiosos.
Quem conseguiu, nunca voltou para responder.

(Rogério de Moura)


Um dos grandes efeitos colaterais das redes sociais é que as pessoas estão se esquecendo como se escreve números por extenso. 
Escrever um numeral por extenso será, para muita gente, como utilizar um telefone de discar, como máquina de datilografar, disquete de computador ou como dizer "desculpe" e "obrigado". 
Coisas que caíram em desuso, algo de um tempo totalmente distante.
(Rogério de Moura)



Água, sabão, suor
e muitos dias esfregando.
Pendurada a alma no varal,
dança conforme o vento.
Um fantasma assombrando o quintal.
Limpa totalmente não está.
Pelo menos, não cheira mal.
Estará pronta para uso,
Quando parar de chover
ou depois do vendaval.

(Rogério de Moura)



Hot dog no copo...
Não seria melhor bater tudo nem copo e vender (ou beber) como um suco?
(Rogério de Moura)


Fosse eu o curador, uma das obras-primas a figurarem no Museu do Louvre seria o jogo Brasil X Itália, da final da Copa do México, em 1970.
(Rogério de Moura)


Em muitas vezes, o maior ato de coragem é ter medo.
(RdM)


O caso aconteceu na vida real.
E eu não acreditaria se não fosse comigo.
Perdi meus óculos e fiquei três meses à deriva.
Final feliz teve essa história, pois o reencontrei (óculos sempre se reencontra, não podemos esquecer o quanto os perdemos dentro de casa).
Desta vez, os encontrei em meio às folhas secas no quintal.
(RdM)


De tanto saltar na água,
a pedra se quebrou.
Tentaram respiração gota a gota
mas não adiantou.
E não houve ressuscitação
cardiometafísica 
que a ressuscitasse.

(Rogério de Moura)


- Compre esse amendoim. Por favor, me ajuda!
- Vou levar um.
- Leva três. É promoção.
- Não tenho trocado. Só dá para levar um.
- Vai, moço! Me ajuda! 
- Desculpa!
- Preciso de dinheiro. Estou passando fome!
- Se está com tanta fome assim, por que não come o amendoim?

(RdM)


I

Escolher o sabor da pizza quando se está com fome é um dos momentos mais difíceis de uma pessoa.

II

Massa e queijo...
O resto é improviso.

III

Quem inventou a pizza gosta de comida.
Já quem inventou o tofu gosta de dietas.

(Rogério de Moura)


Mente, 
mata,
rouba,
trai,
corrompe,
destrói,
fere...
E se acha a imagem e semelhança do Criador.


(Rogério de Moura)


Acorda, levanta, come, trabalha, janta, dorme...
Acorda, levanta, come, trabalha, janta, dorme...
Acorda, levanta, come, trabalha, janta, dorme...
Ao acessar a internet, clica em "não sou um robô".

(Rogério de Moura)


Pipa
é um drone
analógico.

(Rogério de Moura)


Créditos: Getty Images

Existem incontáveis autores mais criativos do que esse que vos escreve.
Muitos deles geniais. Pela criatividade e pela simplicidade.
"Costelaria do Adão",
"Confessionário",
"Intervalo Comercial",
"Não diga que estou aqui".
Eis minha modesta contribuição:
"Pausa para Diversão"
(RdM)