Acima  de tudo,
tudo é vizinhança.
Acima da Terra
tudo é céu.
Acima do mundo
tudo é universo.
Acima do universo
tudo é infinito.
Acima do infito,
tudo está acima de tudo.
(Rogério de Moura)





Folha de papel dobrada e nas mãos do pequenino nasceu um avião.
A janela se fez aeroporto e o miúdo aeroplano, tatuado de rabiscos de giz de cera
cada vez mais alto voava, escalando cada degrau do vento.
Contornou edifícios, desviou-se de pombas e antenas.
Viu prédios se espremendo nos quarteirões,
Viu carros se espremendo nas ruas,
Viu pessoas se espremendo nos prédios, nos carros e nas ruas,
Viu cada janela guardar sua pequena história:
Um casal de velhinhos assistindo televisão,
Uma bebê chorando no colo da mãe,
Um jovem casal discutindo coisa qualquer.
Da janela de sua casa, o menino era passageiro
Com o bilhete de passagem que ia imaginando.
Nas asas do pequeno avião conheceu culturas, idiomas, comidas
Faunas e floras que nunca havia imaginado antes.
Quanto tempo durou a viagem? Semanas, dias, meses... Ou apenas segundos?
Ao fim da jornada, o pequeno avião pousou.
Mal teve tempo de taxiar: o pneu de um automóvel passou por cima.
E o avião voltou a ser uma folha de papel.

(Rogério de Moura)



Ilustração: Rogério de Moura

Lá fora, no infinito,
passa estrela,
passa planeta,
passa boi,
passa boiada,
passa a minha namorada.

(Rogério de Moura)

Há quantos anos luz estava trabalhando
sem carteira, sem salário, sem sindicato?
Enfim, parou de construir galáxias e
jogar cometas com a colher de pedreiro.  
Chegou a hora do almoço e,
faminto, abriu a marmita.
Esperava supernovas, quasares e nebulosas.
Só encontrou arroz, feijão e ovo.

(Rogério de Moura)  



Perguntei, muitas eras atrás, para o meu avô:
"Que são aquelas luzes brilhando lá no céu?"
"São lâmpadas muito grandes", disse,
"colocadas pelo grande pedreiro,
encanador e eletricista celestial."
Vovô deve de estar trabalhando com ele agora,
ligando tubulações entre galáxias
rebocando universos com sua etérea argamassa.


(Rogério de Moura)          



Era um fantasma, juro!
Me assombrou a noite inteira. 
Não tenho culpa agora, que o sol,
brihando lá fora me desminta.
E que essa bendita alma penada
tenha se transformado 
em um velho casaco 
pendurado na porta do quarto.

(Rogério de Moura)


Comentaram as taturanas, as minhocas,
as lesmas, caracóis e caramujos
sobre a passeata que fizeram
os bichos da goiaba.
Cansaram de descaso e discriminação.
Querem respeito e dignidade.
Menos árvores ornamentais,
abaixo samambaias e roseiras.
Menos jaboticabeiras e pés de manga.
Plantem mais goiabeiras.
(Rogério de Moura)


 

Uma nuvem flutuava no céu. Tinha o formato de um boi, depois parecia um coelho, em seguida, um cão. Mas na verdade, sempre parecia algodão-doce. Sentia-se triste e solitária.
Pegou seu celular - lá em cima o sinal é ótimo - e ligou para um amigo, que também era uma nuvem:

- E aí, que tá fazendo?
- Nada. Só flutuando.
- Porque não flutua por aqui?
Pouco tempo depois, estavam as duas nuvens juntas, trocando umas ideias. Chamaram outra nuvem, que logo chegou, trazendo mais nuvens.
Ligaram o aparelho de som em alto volume. No toca-discos, o som do Trovão, banda de muito sucesso.
A cada instante que passava, mais nuvens chegavam, trazendo pizza, bebidas e relâmpagos.
A festa seguia animada até que a vizinhança começou a reclamar do barulho.
Chegou a polícia celestial e as nuvens fugiram, começando um imenso temporal.
Enquanto isso, lá embaixo, o trânsito parou, enquanto sofás, geladeiras e móveis flutuavam em rios e córregos, enquanto as autoridades prometiam resolver o problema das enchentes.
(Rógério de Moura) 


Aquela letra surgiu para abrir o verso
que seria os mais belos de toda a literatura.
Só que a inspiração se apagou,
a musa adormeceu e o tempo passou.
Faltou-me coragem para apagar
aquela letra inicial 
que agora vive solitária, 
sem outra letra para conversar,
sem frases pra fazer família.
Deixei-a, letra solitária
numa página que estaria em branco
nao fosse sua presença.

(Rogério de Moura)



A lesma caminhava num jardim 
sob gotas de chuva, 
tingindo a água com seu rastro.
Pedra surgiu no caminho:
chegou antes dela,
que desviou, fazendo um "s".
"S" de quê?", perguntaram
formigas, moscas, larvas e minhocas.
"S de "sapeca", disse a joaninha
"S de sábia, disse a borboleta
"S de suculenta" disse o pombo.
E todos fugiram em pânico, 
zunindo, voando e correndo.

(Rogério de Moura)



Era poeta, compositor,
advogado ou contador
carteiro, coletor de lixo,
agricultor ou andarilho
que, sem uma prata no bolso 
ou um chão para embalar os sonhos
tentou roubar o luar
para vender, quem sabe, 
ter um magro jantar.
Foi preso em flagrante delírio.

(Rogério de Moura)



Fazia um calor daqueles. Para refrescar o corpo e os pensamentos, ele sentou-se diante do balcão e pediu uma cerveja gelada. Outro sujeito sentou-se ao lado e o reconheceu:
- Eu conheço você!
O outro não se lembrou:
- De onde?
- Não tá lembrado? Sou enfermeiro! Eu atendi você numa noite dessas.
- Quando?
- Faz uns três meses, mais ou menos. Você bebeu. Bebeu muito. Muito mesmo. Pra caramba. Aí, foi parar no hospital, em coma. Eu te salvei, meu amigo!
E, para comemorar aquele reencontro, os dois encheram a cara.
(Rogério de Moura)








Da corrida do espermatozóide
até o suspiro derradeiro,
tudo é resistência.
Com ou sem paciência.

A resistência da pedra 
diante da água.
A resistência da montanha 
diante do vento.

(Rogério de Moura)


Arroz com feijão.
O resto é mistura, 
lágrima, fritura,
sorriso e ilusão.

(RdM)



Esse é um retrato cruel das redes sociais: a ilusão de que se pode mudar o mundo sem atitudes e sem ações.
Apenas através de um breve texto xingando algo ou alguém.

(RdM)


Diamante girou
até cair no chão.
Um menino esperava
o brilhante parar.
E assim que parou,
voltou a ser peão.

Enquanto o peão rodava,
brincava de ser planeta.
Pensou, enquanto girava,
ter sua própria gravidade,
sua fauna, sua flora
e seus próprios habitantes.

Ali, no chão, parando,
tonto e sorridente,
esperou que a mão do menino
o salvasse da realidade,
Que fosse jogado no espaço
e girasse novamente.

(Rogério de Moura)


Essa é a pergunta fundamental:
O que é bom ou mal:
O Bem ou o Mal?
Quem ouve a palavra "dó"
pensa em compaixão ou
naquela nota musical?
(RdM)


O culpado dessa ressaca 
eu não sou. 
Culpados, se existem, eles são... 
quem me ensinou a beber, 
quen me ensinaou a amar, 
que me ensinou a sentir a dor e a alegria,
quem me ensinou a ser sincero e a mentir, 
quem me ensinou a justiça e a injustiça. 
Culpa tenho nenhuma. 
Admito, isso sim, 
que sou meio inocente, 
meio culpado
e meio mentiroso.



Quieta...
Sem exalar revolta, nem ira nem ódio
Muito menos ansiedade ou desespero
Apenas a paz.

Silenciosa...
prenha de esperança
fervendo em desassosego
engolindo a saliva da humildade.

Observando o mundo ao redor
as palavras se equilibravam no puleiro
esperando que a gaiola se abrisse
para oder voar e pacificar o mundo.

(RdM)


Minúscula, ficou por minutos sobrevoando ao redor da minha cabeça. O zumbido incomodava. Várias vezes s tentei enxotá-la. Ela retornava logo depois. 
Mirei com precisão e atingi-lhe com um tapa certeiro. 
A mosca foi parar mo chão. 
Mas não era um inseto. Era UMA ma minúscula fada que,  ferida, aproximou-se, voando trajetórias tortas. 
Disse que veio para me realizar desejos de riqueza e sucesso.
Como eu a agredi, restou-me apenas um monte de palavrões que ela praguejava, enquanto voava pela janela. 
Eu também xinguei a fada: àquela hora da noite não era para um ser mitológico ficar brincando de mosca.
(RdM)


"Eureka! Daqui, eu enxergo o universo!"
Disse, do alto da montanha.
Naquele momento, flutuando acima da Terra,
um astronauta fez o mesmo desabafo.
Coincidentemente, um caboclo no meio da caatinga,
com idioma e sotaque bem diferentes, o mesmo pronunciou.
O que ninguém imaginava é que, alguém gritou essas mesmas palavras enquanto pisava na garganta de uma profunda caverna.
Quem sabe, a mesma coisa, diria um bebê, durante o parto.
Se não estivesse preocupado apenas com o choro,
e, rápido, aprendesse a falar
(Rogério de Moura)


No puleiro da gaiola
pendurada em um canto do éter
o triste planeta piava.
Quase caíam as penas,
os oceanos e os continentes
em meio aos sonhos e fezes
sobre a folha de jornal.
Desejava, por um eterno instante,
poder correr, voar e fugir
para um universo distante.
(RdM)




Trovão gritou "Chuva tá chegando!"
Corri pra janela, 
pra conversar com a chuva.
Trovão gritou outra vez. 
Foi quando o grito virou gemido,
correndo cada vez mais distante.
Chover, só noutro pedaço da cidade.
Não teve conversa com a chuva.
Fica pra outro dia nublado.
Fica para outro "mal tempo".

(Rogério de Moura)


Gostava muito de observar as mulheres.
Caminhando, pedalando, pensativas.
Atento aos seus olhos, imaginava no que elas estavam pensando.
Atento aos seus sorrisos, que lembranças agradáveis contribuíram para aquele momento.
Uma expressão mais séria e ficava imaginando que assunto estava pedindo tanta urgência.
Ainda gosto de observá-las. Mas, hoje em dia, é complicado.
Pois todas tem o olhar fixo no aparelho celular, como se suas vidas dependessem disso.
(RdM)



Um cometa selvagem e imenso voava em direção ao planeta.
Sem temer, não só por ele mas por todo um mundo que viraria cinzas caso falhasse, com uma das mãos, pegou uma cadeira, com a outra mão, um chicote.
Nasceu, então, a lenda do domador de cometas.
(Rogério de Moura)



Esse time de futebol de várzea imaginário poderia não ganhar uma única partida em um torneio também criado na imaginação.
Ganhar ou perder? O que vale é participar.
Divertido mesmo é escolher o nome dos jogadores: Marmita, Marola, Coisa Ruim, Zé Pretinho, Zé Branquinho, Preto Brás, Reza Brava, Bóia Fria, Manguaça, Abestado, Peteleco, Macumba, Chico Feio, Corcunda,  Deus Me Acuda, Pomba Gira, Vesgo, Tripa Seca, Zarolho, Cai-Cai, Piolho, Quatro Olhos, Corno Manso e Verruga.
Além de uma porção de nomes que, com certeza, o Politicamente Correto iria execrar. E que o mndo do futebol de várzea iria adotar, como um elogio.
(Rogério de Moura)



Fogão:
Fogão sujo comemora três meses.
Na parte de cima uma superfície lunar:
Solo, montanhas, crateras e vulcões...
A lua teve vulcões?

Mendigo:
"Que estranho estou me sentindo...
Será o vinho, a cachaça roubada na encruzilhada,
aquele resto de marmitex que encontrei na sarjeta
ou foi o banho que não tomei?"

Formigas no formigueiro:
O aviso dizia, escrito em letras garrafais
só entendido por quem entende o formiguês:
"Estamos completando 90 dias
sem enxurradas no quintal!"

Cérebro:
Lavou-se a cabeça.

Foram-se as ideias, as inspirações
as lembranças, os sonhos, os medos, as esperanças...
"Água, traga-as de volta!"

(Rogério de Moura)



No site da Polícia Civil, preenchia as informações no formulário para a Certidão Negativa de Antecentes Criminais.
Como conhecia a si mesmo o máximo possível, sabia que nunca havia cometido algum crime.
Mas, porque nessas horas, sempre dá um frio na barriga?
Porque esse receio de ter cometido algum crime e, voluntaria ou involuntariamente, tê-lo esquecido?


(RdM)


Tão ansiosamente esperou para ver o primeiro eclipse do sol de sua vida.
Ou será o segundo? Pouco importa!
Tantos dias houve em que pediu dias de chuva para não ir trabalhar.
Logo nessa data, seu pedido aconteceu.
(RdM)



Reparando na expressão de pânico em um dos passageiros, a comissária de bordo (ex-aeromoça), aproximou-se dele, perguntando se havia algum problema.
- É que eu sou produtor e diretor do programa "Grandes Desastres Aéreos!" respondeu, rangendo os dentes.


(Rogério de Moura)



No meio da multidão,
Alguém falava sozinho.
Alto, para todo mundo ouvir.
Beirava a insanidade? Não!
Só usava seu celular imaginário
com fone de ouvido sem fio
também fruto de sua imaginação.
Com quem falava?
Com qualquer um.
Tão real quanto ele.

(RdM)


Mais do que salvadores, messias, líderes, chefes, ativistas, soldados, guardas, guardiões, carcereiros...
O mundo está mesmo precisando é de gente que seja prudente, sábia e moderada. O resto é insistir em errar.
(RdM)



Futebol
é uma vidinha
de surpresas.
(RdM)


Brincar, fazendo de conta
Que a vida é vida.
Correr sem motivo,
Enfiar a mão no saco de arroz,
Provar o resto da massa do bolo,
Esfregar os pés descalços na terra,

Bater a sola do pé na poça d’água, 
Deitar na grama,
Brincar na chuva,
Andar na chuva,
Ter qualquer diversão debaixo da chuva.
Até a mãe chamar,
Brincando de estar furiosa.


(Rogério de Moura)





Do jeito que anda a voracidade 
da vigilância dos grupos 
dos "politicamente corretos",
em breve, um "Eu te amo" 
vai ser considerado assédio moral.
(RdM)



A noiva aconselhou a não fazer:

- Presta atenção querido, ele tem posições políticas muito radicais!

- Mas, meu bem, ele é meu melhor amigo.

E não teve jeito. O melhor amigo do noivo recebeu o convite para a festa do casamento.

Chegou na cerimônia sem usar terno e gravata, acompanhada da namorada, que vestia uma camiseta à rigor.

O noivo caiu na besteira de convidar o amigo petista para o casamento nos Jardins

No tão esperado momento do "sim", o amigo e a namorada invadiram o palco o tomaram o microfone:

- Essa é uma festa burguesa para uma instituição falida que é o casamento! Essa igreja rica, enquanto o mundo morre na pobreza! Quanta gente que não tem o que vestir e vocês gastando uma fortuna num vestido de noiva como esse! E depois do casamento, tem a festa. Quantas famílias miseráveis poderiam ser ajudadas com a grana que vocês vão jogar fora fazendo essa festa! Quantos famintos seriam alimentados com a comida?

O discurso continuaria, se o noivo não tivesse avançado sobre o seu agora ex-amigo, perseguindo-o pelo palco, jurando matá-lo, enquanto a noiva observava a tudo atônita. Indecisa entre estar furiosa com o noivo ou com seu amigo.

(Rogério de Moura)



Durante o nascimento,
Pensava na vida.
Durante a vida,
Pensava na morte.
Durante o sorriso,
Pensava nas lágrimas.
Durante o almoço,
Pensa na janta.
Durante a fartura
Na fome pensava.
Durante o nada...
Nada adiantava.

(RdM)



Foi tudo muito rápido.
Antes era terra, 
Depois era mão,
Depois era um algo voando.
E, perplexa com tanta liberdade, deslizando no vento, rumo ao desconhecido.

Para onde estava indo? 
Não sabia se estava se aproximando do chão de água 
Ou se o chão de água que vinha beijá-la.
Durante uma fração da eternidade, escorregou pela superfície fluida.
Tivesse pernas, caminharia.
Não tinha. E o destino da pedra foi afundar, lentamente, até as tripas do rio.

Outras pedras, além de paus, folhas, garrafas de vidro e desilusões.
Enfim, repousou onde tudo dorme, aquecido por um cobertor líquido.
(Rogério de Moura)


Era domingo, Dia das Mães. 
Encontrei meu amigo Carlão, 
que muito me ajudou quando 
precisei de dinheiro emprestado.
Ele foi como uma mãe para mim.
Eu lhe disse: "Feliz Dia das Mães".

Encontrei meu amigo Marcos,
que muito me consolou 
quando tive minha desilusão amorosa.
Ele foi como uma mãe para mim.
Eu lhe disse: "Feliz Dia das Mães".

Encontrei meu amigo Alfredo,
dono de uma oficina, quando meu carrro quebrava, 
consertava sem pensar em cobrança.
Ele foi como uma mãe para mim.
Eu lhe disse: "Feliz Dia das Mães".

Cheguei em casa.
Encontrei minha mãe, me esperando.
Comovido, abracei-a, beijei-a.
Com saudade, carinho e afeto.
Disse-lhe: "Feliz dia da minha melhor amiga.
Nos bons e melhores momentos."


(Rogério de Moura)


A moça e sua colega de shopping center caminhavam pela caçada. 
Não conversavam. Cada uma mantinha a atenção em seus smartphones.
Em sentido contrário, cambaleava um bêbado, tropeçando, caindo, rindo.
Enojadas, as duas mocinhas reparavam no bêbado, sentiam seu mal cheiro e comentaram sobre os incontáveis tombos e tropeços que o alcoólatra sofria diariamente, vagando pelas ruas feito um zumbi, refém de seu próprio vício.
Esqueceram-se dos incontáveis tombos e tropeços que elas próprias tiveram enquanto mantinham a atenção na tela de seus celulares, vagando pelas ruas feito um zumbi, reféns de seu próprio vício eletrônico.
(Rogério de Moura)



“Corrupto não!” gritou o político, revoltado com a frase gritada pelo povo.
O politicamente correto modificou tantos termos, mudou o nome de profissões. Já não existem mais professores. Agora, são educadores. E lá se vai o nome original de uma profissão secular para a sala escura e fria do esquecimento.
A palavra “ladrão”, oficialmente, também está condenada ao desaparecimento. Afinal, enquanto o autor do crime não for condenado em última instância, tudo está na base do “suposto”.
O politicamente correto não poderia deixar de contemplar a corrupção.
Imediatamente, toda a imprensa aderiu. E todos os meios intelectuais foram a reboque.
Caso condenado, o político corrupto não pode dessa forma ser chamado.
Trata-se apenas de um “portador de necessidades éticas”.
(Rogério de Moura)





Para não dizerem nada
Para dizerem tudo
Imitando o infinito
Querendo fazer sentido.

Quando não se é habilidoso
Em contar, cantar e catar palavras
Elas escorregam pelos pensamentos
Ao sabor do vento.
(RdM)



De repente, a Terra tremeu. Um clarão veio do céu.

Sob o som de trombetas celestiais, Ele surgiu, para a perplexidade de todo o mundo.


Logo depois, ele anunciou o fim da pobreza e das injustiças sociais.

Logo, houve quem dissesse que Deus era de esquerda.


O Todo Poderoso também anunciou  dignos de seu nome são apenas aqueles que conquistam as coisas utilizando o próprio suor que seriam abençoados.


Logo, houve quem dissesse que Ele era de direita.


Deus anunciou, também, novos mandamentos, além dos dez já existentes. Chamaram-no de autoritário.


E assim foi: cada verbo divino era interpretado pelos seus filhos como sentenças esquerdistas, direitistas ou autoritárias, conforme a interpretação e doutrina políco-partidária de quem ouvia.


Enfim, Deus se cansou e foi embora.


Decidiu manter os humanos do jeito que estavam: mergulhados em seus erros, dogmas e ilusões.
(Rogério de Moura)



Não fabricam mais geladeiras que esquentam na parte traseira!
Antigamente, mas nem tanto, qualquer problema de roupa suja que precisava ser lavada e secada com urgência tinha uma solução: a parte detrás da geladeira.
E ficavam lá atrás camisas, calças, cuecas e, forçando a barra, até calçados.
Isso deve ter sido um empecilho para que se vendessem mais secadoras, sempre caras, que ocupam um espaço desnecessário.
Hoje em dia, esse tipo de geladeira saiu do mercado.
Puro conluio dos fabricantes!
(RdM)