segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Domingo

O sol cozinhando o dia;
A tola torneira babando,
nas louças amontoadas na pia;
Leite derramando;
A mistura dentro da bacia
Pacientemente esperando
Por uma panela vazia
E o Domingo passando....

Quente,
Indiferente,
Lento,
Sem vento.


Seleção Brasileira: tudo e pouco

Nunca a Seleção Brasileira teve tanto dinheiro e tão pouco futebol.


sábado, 16 de agosto de 2014

A mosca cantora

Do nada surgiu a mosca voando pelo quarto.
Por preguiça, deixou-a lá, buzinando seu tradicional zumbido, esperando que, em algum momento, ela partisse.
Vários minutos se passaram, nada de partir. 
Dez minutos depois, não suportou e acionou o inseticida.
Os primeiros jatos erraram o alvo. O terceiro foi certeiro.
A mosca, que antes voava com um trajeto reto, passou a oscilar. Mas permaneceu voando e cantando.
Seguiu-se o quarto jato de inseticida. A mosca começou a cantar "Pensa em Mim".
Foi obrigado a recorrer ao quinto jato.
A mosca, mais tonta ainda, começou a entoar um sertanejo universitário.
Seguiu-se o sexto jato. A mosca, completamente dopada, começou a cantar uma música de axé.
Depois do sétimo jato, a mosca desembestou um funk carioca.
Guardou o inseticida, saiu de casa e foi dar uma volta no quarteirão.
Quem sabe, na volta, a mosca tenha encerrado o seu show gratuito.

Rogério de Moura



sábado, 9 de agosto de 2014

O cantor de um sucesso apenas

Que fim levou o cantor Eriberto César?

O nome dele é Eriberto César. Talvez você tenha ouvido falar dele. Ou seus pais. Ou seus avós. Quem sabe, digitando "que fim levou Eriberto César?” nos sites de busca, talvez o encontre.

Dificilmente terá sucesso na pesquisa digitando Eurípedes Procópio da Silva, seu nome de batismo. Aconselharam-no, quando sua carreira começava, a trocar de nome.

Surgiu então, Eriberto César que, por muito tempo lutou para alcançar o estrelato. Apresentações em bares, sociedades amigos de bairro, bailes, casamentos. Nesse percurso, compôs diversas músicas. Até que chance lhe surgiu em um programa de calouros e a sorte sorriu para o quase desistente cantor e compositor. 

O nome do sucesso era um tanto longo: "Enquanto Eu Girava a Maçaneta, o Outro Pulava a Janela". Da noite para o dia, as rádios passaram a tocar o que se tornaria um estrondoso sucesso naquele ano.

Convites para shows lotados, presença em revistas de entretenimento, viagens pelo país, apresentações em programas de televisão, autógrafos, fãs, tietes, casamento, divórcio, outro casamento, outro divórcio.

O tempo tem um vício: passar rápido, sem se importar com ninguém. Composições se acumularam. Nenhuma obteve sucesso. Programas de rádio e televisão começaram a rarear. Outro casamento, outro divórcio. 

Os anos passaram, cobrando sempre seu preço inegociável. E Eriberto tornou-se um cantor de um apenas um sucesso. Apenas aquela música. Nos lugares e eventos em que era reconhecido, sempre lhe pediam uma palhinha. Pedido que ele sempre recusava.

Havia momentos em que pensava nos momentos de alegria que "Enquanto Eu Girava a Maçaneta, o Outro Pulava a Janela".  Mas uma voz lá no fundo de sua alma vivia gritando que essa música tornou-se uma cruz em sua vida. Passou a detestá-la.

Sempre que pediam que cantasse, ele recusava. Quando, em restaurantes ou bares, ouvia, ao fundo, a sua música, logo pedia para desligar o aparelho de som ou, pelo menos, abaixar o volume.

No auge de uma crise depressiva, pensou em suicídio. Mas não levou a ideia adiante. Não queria que a música, caso se matasse, tocasse nos noticiários ou em algum programa de flashback.

Rogério de Moura


Palitando os dentes

Seu prato-feito foi uma coxinha e quatro copos de pinga.
Depois do almoço, ficou alguns eternos poucos segundos
Palitando... palitando... palitando...
Tirando a cachaça que ficou no vão entre os dentes.

Rogério de Moura


O legado do "legado"

Antes do Pan do Rio, falaram em legado.
E o legado foi esse: o estádio João Avelange, sucateado; o Maria Lenk para natação, sucateado, e por aí vai.
Antes da Copa, também falaram em legado. Durante a Copa, começaram a dizer: esqueça o legado.
Daqui há pouco, vão começar a falar do legado das Olimpíadas.
O maior legado de tudo isso é que a palavra legado significa que aí vem mutreta das bravas.

Eparrei!


terça-feira, 15 de julho de 2014

Os gênios do azar

Quando anunciaram a Copa, questionei sobre a infra-estrutura que o Brasil teria. Não daria conta de atender os estrangeiros e seria um caos. Disseram que iriam fazer toda a infraestrutura e que isso seria o grande legado da Copa.

As obras não começaram e a roubalheira aumentava. Questionei e começaram a me acusar de ser contra a Copa e contra o país.

Aí, surgiram pessoas que eram realmente contra a Copa, cujo grito era mais audível que o meu. 

A Copa aconteceu. O caso não foi tão grande e os que me acusaram de ser contra agora olham para mim, zombando e dizendo: "Tá vendo? Você não queria, mas foi um sucesso!"

Dão a impressão de que tinham certeza de que, sem infraestrutura, a Copa seria uma maravilha e que nada aconteceria de ruim.

Aconteceu, como pontes caindo e operários morrendo. Mas isso é irrelevante.

A Copa aconteceu e os que prometeram infraestrutura, o tal "legado" e não fizeram, me olham com escárnio de vencedores.

Acham-se uns gênios. Contam sempre com a gerência da sorte e de um batalhão de anjos da guarda.

Na realidade, são gênios do azar.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Reflexão pós Brasil X Alemanha

Alemanha 7, Brasil 1 e a nossa Seleção fora da grande decisão: agora eu posso finalmente criticar o mal futebol brasileiro sem ser acusado de ser "contra o país" e de ser simpatizante da Direita e das "zelites".









A Copa e o dilema moral

Ricardo Teixeira, Marin, Marco Polo Del Nero, Felipão, jogadores modelo-manequim-milionários que pouco jogaram no Brasil, Governo, Ministério dos Esportes...

Torcer para a Seleção Brasileira implica um complexo dilema moral.





terça-feira, 8 de julho de 2014

Copa o ano inteiro!

Copa do Mundo é uma maravilha!

Todo mundo para por causa da Copa. Inclusive o mosquito da dengue, o tráfico de entorpecentes. Os motoristas bêbados pararam de matar.

Até os corruptos deram um tempo para acompanhar os jogos. Os mensaleiros estão sendo liberados, mas tudo bem. As reservas de água estão no limite. Mas parece que tem água sobrando.

Está tudo funcionando direitinho: aeroportos, transporte. Onde estão os congestionamentos?

Torcedores organizados, geralmente promovendo quebra-quebra e mortes tornaram-se verdadeiros querubins, mesclando-se à multidão.

Não há notícias de crimes e chacinas.

Alguma obra pública sem fiscalização, feita às pressas, desaba, matando pessoas. Mas quem se importa? Que caiam outras.

Isso, sem dizer nas famílias que viajam nos feriadões que os jogos proporcionam. De onde vem a grana?

Até os mendigos e viciados em crack, que antes vomitavam caídos nas esquinas do centro da cidade ou andavam praguejando pelas ruas tomaram banho, escovaram os dentes e visitaram o cabeleireiro.

Esse panorama remete a uma casa, costumeiramente suja, bagunçada, desorganizada. A privada sempre entupida e embolorada, a pia da cozinha sempre repleta de louças para lavar com moscas pairando, a sala com sapatos espalhados, paredes mofadas, embalagens de pizza e meias espalhadas pela sala, teias de aranha pelo teto e ninhos de rato pelos rodapés. Vai receber visita? Chama-se uma faxineira de plantão e em questão de um dia a casa está limpa e cheirosa. As visitas elogiam a higiene dos anfitriões. 

A visita foi embora e tudo volta a ser como sempre foi.

Poderia ter Copa o ano inteiro.

Eparrei!



Episódio dos "Simpsons" sobre a Copa-2014 no Brasil

sexta-feira, 20 de junho de 2014

2014: o ano do "trabalho"

Carnaval, Copa, feriados prolongados, eleições...

Para quem não gosta de trabalhar, 2014, deve estar sendo um ano maravilhoso.

Eparrei!


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Movimento perpétuo de um despertador de celular

Tocou o despertador, incomodando-o e interrompendo um sonho muito agradável do qual já havia se esquecido. Lembrou-se do velho e barulhento despertador que tinha quando tinha vinte anos. Agora é um moderno celular. Mesmo assim, o barulho, moderno, era incômodo. Levantou-se e foi até a sala, onde deixou o aparelho carregando a bateria. As tomadas do quarto estavam todas ocupadas.

Chegando a sala, encontrou o velho despertador, emitindo o toque moderno do celular. Achou estranho. Apertou o botãozinho para parar de tocar e não parava. Foi quando concluiu que estava sonhando. 

Então acordou. O alarme ainda soando da sala. Estava sonhando com seu velho e saudoso despertador. Caminhou até a sala, pegou o celular e pressionou o botão para que parasse de tocar. Não parou. Tentou novamente. Nada. Tentou várias vezes sem resultado. Olhou para a janela e viu que estava chovendo. Mas as gotas da água não faziam barulho. Foi até a janela e viu que chovia leite. Concluiu que estava ainda sonhando. Um sonho dentro de outro sonho. 

Acordou. Finalmente, vida real. Caminhou até a sala, pegou o celular, pressionou o botão para que o alarme calasse. Não calou. Um bezerro entrou na sala. Outros foram entrando. Não acreditou que ainda estava dormindo. Fez esforço para acordar.

Acordou. Estaria ainda sonhando? O alarme do despertador tocando. Caminhou até a sala. Antes, surgiu um riacho, assim que abriu a porta do quarto. O celular em cima da mesa de centro da sala, do outro lado da margem. É claro, ainda estava dormindo. 

Acordou. O alarme do despertador do celular tocando. A seguir, sirenes. Um vulcão explodiu, espalhando lava pelo quintal. Lembrou-se que no Brasil não há vulcões. E, caso houvesse e explodisse, tudo estaria em chamas. 

Acordou. Estava nevando do lado de fora do quarto. Era verão. Estava no Brasil. Que sonho é esse que não terminava? Sonho, dentro de sonho, dentro de sonho, dentro de sonho.

Acordou. O despertador tocando. Mal saiu do quarto e flagrou, na sala, duas pombas brancas brigando.

Acordou. Chegou à sala e, antes de desativar o alarme do celular, encontrou a ex-namorada com quem havia brigado aos prantos, pedindo-lhe desculpas. Ela não tinha a chave da casa, pois na briga jogou-a dentro da privada. 

Acordou e...

Rogério de Moura


sábado, 3 de maio de 2014

Dinheiro dá em árvore, sim senhor!

Dizem que dinheiro não dá em árvore e isso é uma falácia. Tenho um pé de dinheiro no quintal de casa, fazendo sombra a um pé de guiné e outro de arruda.

Quem tem a bênção de possuir um não diz a ninguém. Mas não é por medo de ser tido como uma pessoa rica.

Para se plantar um pé de dinheiro é preciso muito esforço e dedicação. Podar as folhas nos primeiros anos; regar sempre, pois é uma planta que bebe mais água que o ser humano nas piores ressacas.

Para se plantar, basta abrir um buraco, colocar uma nota, cobrir novamente com a terra e regar sempre. Não convém adubar muito pois afetaria o odor das cédulas.

Quando começa a brotar, é nota que não acaba mais. Tem dias em que o quintal fica coberto de dinheiro.

O problema do pé de dinheiro, e aí vem o motivo da vergonha daquele que os plantam, é que só começa a brotar depois de, no mínimo, trinta anos. E sempre será a mesma nota que se plantou.

Ou seja, não sei mais o que fazer com as milhares de notas de 500 mil Cruzeiros que plantei, aquela tem o rosto do Mário de Andrade. Estão cobrindo o quintal, a calçada; entupindo os bueiros. Tampouco não faço ideia sobre que de destino dar ao meu pé de 1.000 Cruzados. Quando secas, dão uma boa fogueira, mas, haja fogo.

Tentei ver se o chá daquele dinheiro poderia curar alguma coisa. Mas o boldo, pra ressaca; a babosa, para a saúde; e o manjericão para o macarrão são imbatíveis.

Ou seja: se ninguém diz que tem um pé de dinheiro, é por pura vergonha.

Estou pensando em plantar um pé de 100 Reais, mas sabe-se lá como será o panorama econômico para os próximos anos.


Eparrei!

Rogério de Moura




terça-feira, 29 de abril de 2014

Um intenso tráfego aéreo de mosquitos

A pessoa que olhasse para o quintal, ira se deparar com o seguinte cenário: uma quantidade inimaginável de voos e decolagens de aedes aegypti nos aeroportos do quintal.

Os pernilongos e o tal mosquito da dengue estão em tal quantidade que os aeroportos, ou melhor, os mosquitoportos estão lotados, com direito a overbooking.

O panorama é de caos total e muitas reclamações por parte de lesmas, borboletas, taturanas e grilos. As formigas, que até o momento, sempre costumavam a caminhar em fila indiana agora carregam cartazes de protesto: "mosquito da dengue, fora daqui!". Até as baratas saíram de suas tocas para apoiar a manifestação.

A ANACI - Agência Nacional de Aviação Civil dos Insetos, como sempre acontece fazem os órgãos públicos, publicou uma nota protocolar dizendo que esse ano está investindo uma certa cifra na infraestrutura.

Aranhas, moscas, abelhas, vespas e antes indiferentes e até certo ponto simpatizantes aos pernilongos estão sentindo-se incomodadas. Até os barulhentos besouros juntaram-se ao coro dos insatisfeitos. Uma mosca que não quis se identificar reclamou ter sido discriminada por um bando de pernilongos de cabeça raspada.

O ambientalista Jarbas Passarinho disse, em entrevista coletiva, que o grande problema se deve à falta de pássaros. Um passarinho come até 150 pernilongos por dia. Com a falta deles, os pernilongos congestionam o tráfego aéreo de nossas casas, casebres e quintais.

Um grupo de lesmas foi conversar com os representantes da comunidade dos pombos para pedir que eles comam os pernilongos. Com preferência aos mosquitos da dengue.

Os líderes, no entanto, dão pouca importância ao problema, visto que preferem migalhas de pão, sobras de comida e até pedra, a ter que devorar esses magricelos insetos.


Eparrei!

Rogério de Moura



domingo, 27 de abril de 2014

Breve reflexão sobre idiotas

A propósito da manchete do Jornal Folha de São Paulo "65% consideram que mulher com roupa curta merece assédio":

O fato de haver idiotas no mundo não assusta. O que me apavora é saber que os idiotas são maioria.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O Pernilongo Violinista

Desde que veio ao mundo, para orgulho de seus pais e centenas de irmãos, mostrou aptidões musicais. Seu sonho era tocar para uma grande plateia de pernilongos admirados com seu virtuosismo, cultivado com anos de estudos e dedicação. 

O violino de um pernilongo, é obviamente, minúsculo aos olhos humanos. Portanto, difícil de se enxergar. O som é um tanto fraco. Haveria a necessidade de um amplificador. Porém, é possível enxergá-lo com um microscópio. Trata-se de um artefato feito com uma espécie de seiva, colhida nos caules de árvores e construídos por mosquitos luthieres.

Mas, era teimoso o jovem violinista. Aliás, turrão como todo pernilongo adolescente. Por mais admirado e respeitado no reino dos pernilongos, não se dava por satisfeito. Queria mais. Pretendia plateias maiores, um público mais exigente. E, por mais que seus pais insistissem contra, o jovem músico decidiu mostrar seus dotes musicais aos seres humanos.

Não se sabe ao certo quem foi o assassino. No mundo dos pernilongos só se sabe que um humano que não sabia apreciar uma boa música, ou querendo dormir, com uma palmada certeira, abreviou a carreira de um promissor pernilongo violinista. 

Eparrei!

Rogério de Moura

Ilustração: Felipe Parucci 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Contra uploads, use o desupdatizador

Ferver o leite é uma aventura metafísica. Como todos sabem, leite não tem vida, visto que se trata de um composto líquido de cálcio e outros nutrientes.

Há, no entanto, um momento em que o leite ganha vida: quando está fervendo. Não há outra explicação que justifique o fato desse líquido esperar pacientemente por um momento de distração da pessoa que está monitorando sua fervura para esparramar-se pelo fogão, obrigando-nos a perder um precioso tempo para limpá-lo.

Ficamos incontáveis minutos diante do fogão, observando-o na leiteira e esperando que finalmente ferva. E nada do leite ferver. Que seja um litro ou uma xícara. Ele fica esperando que o celular toque, que espirremos, que nos agachemos, que algo noticiado na televisão nos distraia etc. Basta um mínimo descuido para que o leite decida: "É agora! O trouxa vacilou!" e espalhe sua grudenta espuma de nata pelo fogão, apagando as chamas, fazendo chiadeira.

Outro ser metafísico é esse tal de update. Esse, porém, não possui um corpo sólido, líquido ou gasoso. Trata-se de um impulso elétrico, gerado dentro informações contidas dentro de um sistema operacional.

Há momentos em que nossos equipamentos decidem fazer o tal do upgrade e não há nada no universo que o impeça.

Afinal, qual a necessidade de um upload diário? Há uploads que acontecem de hora em hora.

Dia desses, durante uma importante reunião de negócios, um sujeito foi impedido de trabalhar  porque o Windows parou de funcionar  para fazer um update. Cada um trabalhando no seu computador e o coitado lá, esperando. Nada da máquina parar de "updatear".

Tentou reiniciar a máquina, o que não lhe foi permitido pelo sistema operacional. Não teve jeito. Restou-lhe suportar meia hora de constrangimento observando os colegas trabalharem e interagirem.

Certa vez, um locutor esportivo começou a xingar o Bill Gates ao vivo, instantes depois de seu notebook ter decidido parar de trabalhar para fazer um update em plena transmissão de uma corrida de Fórmula 1.

Os celulares também estão assim. No entanto, além de se tornarem mais lentos, também requerem um considerável gasto da energia da bateria.

Assim como os programas que fazem uma varredura corrigindo problemas no Ruindows, deveriam criar um desupdatizador.

Um programa que faz uma varredura em todos os programas e sistemas operacionais, eliminando a necessidade de uploads que, escancaradamente ou na surdina, infernizam a vida dos donos de computadores e celulares.

Mas, poderia haver um problema: esses programas anti-upload pedirem upload.

Eparrei!

Proibido upload


sexta-feira, 28 de março de 2014

O significado de dicionário, segundo o dicionário

Obviamente, a maioria das pessoas sabem o que é um dicionário e já teve um nas mãos.

Algumas dessas mesmas pessoas tiveram a curiosidade de saber o que o dicionário diz sobre a palavra dicionário?
Segundo um dicionário, a palavra dicionário significa: "Coleção de vocábulos de uma língua, de uma ciência ou arte, dispostos em ordem alfabética, com o seu significado ou equivalente na mesma ou em outra língua. Sin: léxico, vocabulário, glossário. D. vivo: indivíduo muito erudito ou de grande memória."

O que foi dito foi o óbvio, que todos imaginávamos ou suspeitávamos. Tão óbvia que poderia haver outras respostas. Aqui vão algumas sugestões para o verbete da palavra dicionário no dicionário:

"Só pode ser brincadeira!"

"Você tem certeza de que não sabe?"

"Recoloque este dicionário na estante e vou fazer de conta que você não teve essa dúvida.

"Está na sua mão, imbecil!"

"Se você não sabia o que significava dicionário, o que está fazendo com um dicionário nas mãos?"

"Que dúvida cretina!"

"Tanta coisa importante para aprender e você perde tempo consultando o dicionário para saber o significado de uma coisa que você já sabe!"

Eparrei!

Rogério de Moura
 
 

A Lei de Murphy sob os parâmetros brasileiros

Lei de Murphy sob os parâmetros brasileiros: "Se houver a mínima chance de qualquer iniciativa para o bem da sociedade ser avacalhada, vai avacalhar com certeza."



quarta-feira, 12 de março de 2014

Rogério de Moura, nos traços do cartunista Laerte

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O Rogério de Moura, médium anarco-cinematográfico que me incorpora, certo dia, mostrou ao cartunista Laerte uma coleção das tirinhas dele, que recortava da Folha de São Paulo e colecionava desde os anos 90. Em agradecimento, ganhou um desenho.

Eparrei!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Tabela de preço para esmolas

O Rogério de Moura, médium cinematográfico que me incorpora, comentou, antes da sessão de incorporação, sobre um mendigo que lhe exigiu 20 reais de esmola. Nenhum centavo a menos. 

São longínquos os tempos em que, abordados por um mendigo, fuçávamos os bolsos em busca de algumas moedas, entregávamos o que havíamos encontrado e ganhávamos um humilde "Deus lhe pague!" como retribuição. Quanta saudade!

Hoje em dia, ao entregarmos algumas moedas, grandes são de ouvirmos uma coletânea de palavrões. O mendigo ou qualquer outro tipo de pedinte nos aborda estipulando um valor, esquecendo-se de que, na maioria das vezes, o valor pedido é tudo o que temos na carteira.

Decidi, então, estipular uma tabela de valores para esmolas:

- Mendigo bêbado: 1 real;
- Mendigo bêbado, porém sorrido: 2 reais;
- Mendigo drogado: 50... centavos;
- Mendigo simpático: 3 reais;
- Pedinte com criança: 5 reais, mais 1 real por criança, desde que comprovado que o pedinte é realmente parente da mesma;
- Guardadores de carros: 5 reais;
- Guardadores de carros que dão um trato no veículo (polimento, por exemplo): 10 reais;
- Pedindo esmola nos trens da CPTM ou do Metrô com bilhetinho: 50 centavos;
- Pedindo esmola nos trens verbalmente: 1 real;
- Limpeza de para-brisa em carro estacionado: 5 reais (se o vidro ficar transparente); 1 real, se ficar opaco, com a cor da sujeira da água;
- Limpeza de para-brisa em carro no farol: as moedas disponíveis no porta copo do veículo.

Valores acima desses citados é agiotagem. E o que não falta são pedintes agiotas.

Há mendigos pedindo de 30 a 50 reais, o que é um absurdo. Valores infinitamente superiores a qualquer pedágio. Dá para encher o tanque e rodar pela cidade à vontade, dependendo de quanto o carro bebe.

No entanto, convenhamos, se dermos a sorte de encontrarmos um mendigo simpático, contando uma boa história, uns 20 reais até compensam a criatividade. Dependendo da história.

Fica a dúvida sobre qual será a taxa de imposto a ser descontada e como ficam os recibos ou notas fiscais.

Com base nessa tabela, os pedintes deveriam fazer alguma espécie de curso de mendicância. "Seja um mendigo mais educado, sóbrio e criativo e ganhe mais", seria o slogan do curso que seria pago, é claro, com esmolas.

Eparrei!

Rogério de Moura


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Quando a Prefeitura reformou a praça



Finalmente, a Prefeitura decidiu reformar aquela praça, após anos de súplicas de moradores, pedestres, crianças e pombos.
Vieram os caminhões. Uma caravana deles.
Trazendo árvores e variadas plantas, terra e adubo. Trazendo o sol.
Trazendo mesinhas e bancos de concreto. Trazendo desempregados para dormir sobre os bancos de concreto.
Trazendo mendigos, pedintes e flanelinhas.
Trouxeram a barraquinha do pastel com caldo de cana. Trouxeram o pipoqueiro.
Um dos carregamentos chamou atenção: um grupo de idosos para jogar dominó.
Por último, a Prefeitura trouxe a chuva, para regar aquilo tudo.

Rogério de Moura