Bêbado de amor

Era uma relação de amor platônica. Nem Platão imagina algo tão intenso.
Infelizmente, privado de ter seu amor correspondido, ele começou a beber.
A cada vez em que em sua musa pensava, em pouco tempo, estava diante de um balcão, entornando litros de bebida alcoólica.
Qual o nome da amada? Isso pouco importa. O interessante é saber que ele, tão logo pensasse nela, logo estava tomando todas.
O físico não aguentou. Teve que parar de beber, por questões óbvias de saúde.
Mas, toda vez em que pensava na sua musa… Ficava bêbado. Nem precisava beber.
Os amigos estranhavam: “Voltou a beber?”
E o “bêbado” dizia, enrolando a língua: “Não tomei nenhum gole.”
Seus amigos só acreditavam ao constatar que ele, realmente, não estava cheirando a álcool.
E, assim, seguiu sua vida: bastava dizer o nome dela, ou pensar nela, que ficava bêbado, sem ingerir uma gota de álcool.
Médicos tentaram vários tratamentos. Todos em vão.
Psicológico? Psicossomático? O fato é que ele parou de beber. Mas continua pensando em sua amada. Sofrendo, no dia seguinte, ressacas terríveis.
(RdM)


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